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Palavras ditas por Buda (Gautama), há mais de 2500 anos... E ainda hoje são atitudes que precisamos tanto ouvir!! Não acredite em tudo sem analisar!!

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sábado, 7 de janeiro de 2012

Ciúme

“Mas eu me mordo de ciúme...” (Ultraje a Rigor)


Segundo os psicólogos israelenses Ayala Pines e Elliot Aronson, autores de uma ótima pesquisa sobre este tema, o ciúme pode ser definido como um “complexo de pensamentos, sentimentos e ações que são provocados por ameaças à existência ou à qualidade do relacionamento que são gerados pela percepção da atração, real ou potencial, entre o parceiro e um rival (imaginário ou real)”.
Você sente ciúme? Parabéns, este sentimento é normal e razoável. O ciúme é como o medo. Só os seus excessos é que são disfuncionais: falta de ciúme ou excesso de ciúme, tal como a falta de medo ou o medo de tudo, é que são prejudiciais. O ciúme é experimentado por quase todas as pessoas, em quase todas as culturas e em todas as épocas. Várias pesquisas constataram que quase todo mundo já sentiu ciúmes alguma vez na vida. Cerca de 50% das pessoas declararam que são ciumentas.
Antigamente era moda condenar certos fenômenos psicológicos como o medo, a timidez e o ciúme. Os especialistas daquela época acreditavam que estes fenômenos só eram apresentados por pessoas imaturas, egoístas e problemáticas. As teorias psicológicas modernas reabilitaram estes fenômenos. Esta reabilitação aconteceu porque foi compreendido o papel importante que eles têm para a sobrevivência da nossa espécie, para o nosso bem-estar e para o funcionamento dos relacionamentos humanos. Por exemplo, segundo a teoria evolucionista, o ciúme, quando é manifestado em doses moderadas e nas circunstâncias adequadas, ajuda a evitar que o parceiro se envolva amorosamente com outros pretendentes e desfaça o vínculo conjugal atual. Na nossa espécie, a manutenção do vínculo conjugal, pelo tempo necessário para que os seus filhos ganhem autonomia, é importante porque as crianças necessitam de cuidados durante muitos anos para que possam sobreviver sozinhas. Tais cuidados são muito mais eficazes quando são proporcionados por um casal do que quando são proporcionados por apenas um dos cônjuges.
Causas reais e causas fantasiosas do ciúme
Ciúme realista 
Muitas pessoas que procuram o meu consultório porque estão sentindo uma intensidade insuportável de ciúme dos seus parceiros têm razões para isto: elas realmente estão sendo traídas. Neste caso o ciúme é uma reação razoável e saudável ao que está se passando. O que resta fazer é comprovar a traição e tomar as medidas adequadas para lidar com os danos psicológicos que ela acarreta e com o parceiro traidor.
Ciúme fantasioso
Uma parte daquelas pessoas que procuram o meu consultório devido aos problemas gerados pelo ciúme não tem motivos reais para esta reação: elas estão tendo ciúmes descabidos. Este tipo de ciúme é característico daquelas pessoas que são chamadas de “ciumentas”. Quando o ciúme é muito irrealista e muito exagerado pode se tratar de uma patologia – o ciúme patológico.
O ciúme patológico é provocado por delírios de traição por parte do parceiro. Nenhum tipo de prova em contrário convence o enciumado de que o parceiro não o está traindo. Cada suspeita que é desconfirmada só o tranqüiliza por pouco tempo. Logo em seguida aparece outra suspeita e novos ciúmes. As vidas de quem tem este tipo de ciúme e a do seu parceiro se transformam em um inferno. A insegurança de que o parceiro está traindo é constante. Todas as atividades da vida diária podem ser prejudicadas pelas perturbações decorrentes do ciúme. O enciumado não consegue se concentrar em mais nada. Tudo fica subordinado aos seus sentimentos de ciúme. O sono fica prejudicado, o parceiro é submetido à vigilância continua – ¬¬a sua privacidade é invadida de todas a formas –, outras atividades importantes podem ser interrompidas para que a vigilância do parceiro possa ser exercida. Este tipo de distúrbio requer tratamento especializado.
Ingredientes do ciúme
O ciúme tem dois ingredientes: o disposicional e o situacional. O ingrediente disposicional é aquele que faz com que duas pessoas tenham diferentes intensidades de ciúme em uma mesma situação. Por exemplo, quando dois homens descobrem que suas namoradas estão trocando e-mails com seus respectivos ex-namorados, cada uma deles pode sentir intensidades muito diferentes de ciúme: um pode ficar possesso e querer acabar o namoro, enquanto o outro pode ficar apenas ligeiramente enciumado. Ou seja, um deles é “muito ciumento”, enquanto o outro é “pouco ciumento”. 
O ciúme exagerado pode ser causado por pelo menos um dos seguintes motivos: 
(1) Possuir um amor do estilo Mania (são pessoas possessivas e inseguras) ou ter um estilo de apego ansioso-ambivalente (típico daqueles que receberam cuidados na infância por parte de pessoas que eram inconstantes para proporcionar segurança e afeto e se portavam de uma forma invasiva). 
(2) Ter sido traído em relacionamentos anteriores: “Gato escaldado tem medo de água fria”.
(3) Ter sido afetado por traições por parte de terceiros. Por exemplo, uma paciente que atendi desenvolveu uma desconfiança muito grande em relação aos homens porque durante a sua infância e adolescência ela presenciou várias brigas entre o seu pai e a sua mãe. Nestas brigas, a mãe acusava o pai de traição. Além disso, a mãe sempre a advertia de que “não podia confiar nos homens”.
O ciúme situacional é aquele que faz com que uma mesma pessoa experimente diferentes intensidades de ciúme em diferentes situações. Por exemplo, Maria relatou que sentiu uma intensidade dez de ciúme, em uma escala que vai de zero a cem, quando atendeu ao telefone e ele foi imediatamente desligado por quem fez a chamada. Ela também relatou que sentiu uma intensidade oitenta de ciúme, nesta mesma escala, quando soube que o namorado tinha “ficado” com uma conhecida de ambos em um feriado que ela viajou sozinha para visitar os pais em outra cidade. 
O ciúme é normal e saudável quando a sua intensidade é proporcional ao risco que a situação traz para o seu relacionamento. Por exemplo, se o parceiro conversa rapidamente com uma desconhecida muito bonita em uma festa isto oferece um risco muito menor para o seu relacionamento do que se o parceiro tivesse dançado repetidamente e de rosto colado com esta bela desconhecida. Um estudo que fiz mostrou que as pessoas ordenam de forma muito semelhante as intensidades do ciúme que são provocados por diferentes situações. Por exemplo, quase todo mundo diz que sente menos ciúme quando o parceiro menciona repetidamente o nome de uma possível rival do que quando ele viaja com ela para um congresso. 
Outros fatores também afetam a intensidade do ciúme. Por exemplo, o ciúme geralmente é menor quando o relacionamento é mais estável (já existe há bastante tempo e há um bom grau de compromisso entre os parceiros) e quando o parceiro é confiável.
As reações ao ciúme
A grande maioria das pessoas não gosta de sentir ciúme. As reações daqueles que são objeto de ciúme moderado vão desde sentir-se amado e ficar lisonjeado até não suportar ser objeto deste sentimento. As pessoas que não gostam de ser objeto de ciúme sentem-se acuadas, tolhidas e desrespeitadas quando isto acontece. 
A forma de agir daqueles que sentem ciúme também varia muito. Por exemplo, algumas pessoas escondem este sentimento, enquanto outras se tornam agressivas e apresentam represálias. Alguns estudos indicaram que as mulheres têm mais propensão do que os homens para desenvolver sentimentos negativos contra elas próprias quando sentem ciúme. Por exemplo, ficam com a auto-estima rebaixada e podem ficar deprimidas. Os homens, por outro lado, tendem a agir contra os outros quanto sentem ciúme: ficam agressivos com a parceira e com os rivais.
É possível matar por ciúmes?
Não creio que alguém mate, suicide-se ou até mesmo cometa atos violentos só porque é muito ciumento. Quem comete excessos quando fica muito enciumado é porque, além de ser ciumento, também tem algum tipo de desequilíbrio psicológico ou social. Por exemplo, tal pessoa pode não ter aprendido a controlar os seus impulsos destrutivos. Ela provavelmente considera legítimos estes tipos de reações. Por exemplo, ela pode ter sido educada para acreditar que é louvável “lavar a honra com sangue”.
Perdoar é mais fácil do que recuperar a confiança
Quem foi traído pode desenvolver uma desconfiança crônica em relação ao parceiro que o traiu. Esta desconfiança pode ser muito difícil de ser tratada. Por exemplo, certa vez atendi uma paciente que constatou uma traição por parte do marido. Depois desta constatação, tudo o que ele fazia ou deixava de fazer era visto por ela como evidência de uma nova traição em curso. Por exemplo, se ele dava presentes para ela era porque ele estava com a consciência pesada por estar traindo. Se ele não dava presentes era porque estava apaixonado por outra e pensando em sair do casamento. Este tipo de desconfiança durou muito tempo apesar do tratamento psicológico.

Se o seu ciúme está prejudicando o seu relacionamento, verifique se ele é legítimo. Caso não o seja e você não esteja conseguindo se controlar sozinho procure ajuda profissional.
escrito por ailton amélio da silva

SÃO PAULO, SP
Psicólogo clínico (telefone: (11) 3021 5833). Doutor em psicologia. Professor do Instituto de Psicologia da USP. Escritor.


O manual do chato

O manual do chato

Uma conversa agradável é aquela que corre fácil, os assuntos surgem naturalmente, a passagem de um assunto para o outro acontece de uma forma imperceptível, perde-se a noção de tempo. Tudo isso faz com que ela seja percebida como prazerosa e envolvente. Todos estes efeitos são resumidos pela sensação de que há afinidade entre os parceiros, que há motivação para conversar e que o relacionamento entre eles vai de vento em popa.
A conversa tem um papel central em todos os caminhos para iniciar relacionamentos amorosos, tais como na paquera entre desconhecidos ou na transformação de relacionamentos que já existem em relacionamentos amorosos. O início de um relacionamento amoroso entre desconhecidos não consiste apenas em uma paquera à distância, seguida da abordagem por uma das partes. Para que este início seja efetivado, geralmente existe o teste da conversa: os parceiros conversam por um certo tempo para se certifiquem de que são mutuamente compatíveis. Este papel da conversa é bem ilustrado pela anedota abaixo:
Duas amigas estão em uma balada. Uma delas fica entusiasmadíssima com alguém da mesa ao lado. Depois de um tempo, ela e o rapaz começam a flertar. O rapaz a aborda e começam um encontro alucinante. Tudo o mais se torna secundário. A amiga vai embora, porque sentiu que estava sobrando. No dia seguinte, as duas amigas se encontram. A amiga que tinha ido embora antes pergunta: “E ai, está com aquele rapaz? Ontem, você estava tão entusiasmada.”. A outra responde: “Não. Ele me decepcionou”. A amiga, muito espantada, pergunta: “Porque?” A outra responde: “Quando saímos da balada consegui ouvir direito o que ele dizia!”
Vamos examinar agora algumas formas específicas de ser chato através da conversa. O objetivo deste artigo, obviamente, é contribuir para que você tome consciência e evite estes tipos de comportamentos.
Os chatos na conversa seguem duas regras gerais e diversas regras específicas. As regras gerais são: (1) “Não considere o seu interlocutor.” e (2) “Não faça qualquer esforço para que o seu relacionamento com ele seja agradável, edificante, respeitoso, divertido e motivador”. As maneiras específicas serão apresentadas abaixo.

Maneiras específicas de ser chato em uma conversa

Infelizmente existem várias maneiras de ser chato em uma conversa. Vamos examinar aqui apenas algumas das principais.

- Forçar conversas e temas

Nem sempre é possível conversar com uma pessoa ou tratar de um determinado tema com ela. Existem vários tipos de motivos para esta impossibilidade: quando pelo menos uma das partes considera que a outra não é um interlocutor adequado (por exemplo, o interlocutor é alguém desconhecido que faz uma abordagem na rua), quando o momento não é adequado (por exemplo, uma das partes está sem tempo) quando existem dificuldades para localizar assuntos adequados e envolventes naquele momento (“Não ter nada para conversar naquele momento”), etc.

- Quem faz uma ligação telefônica deve se certificar se está interrompendo.

O telefonema em momentos inconvenientes é um caso freqüente de conversas forçadas. Quando ligamos para uma pessoa nunca sabemos o que ela está fazendo. É bom sempre começar uma ligação perguntando: “Estou interrompendo alguma coisa?” ou algo equivalente. Caso o outro dê algum sinal que sim, quem ligou deve se prontificar em dizer: “Te ligo outra hora”, ou algo do gênero. Também ajuda muito quando quem recebe uma ligação inconveniente diz, assim que atender ao telefone: “Olá, fulano. Tudo bem? É urgente? Posso te ligar daqui a pouco?” ou algo do gênero.

- Monopolizar os papéis de falante ou de ouvinte.

Para que haja uma conversa é necessário que haja alternância nos papéis de ouvinte e falante. Caso isto deixe de ocorrer, o acontecimento não é um diálogo. Pode ser um monólogo, uma palestra, uma declaração ou algo do gênero. Esta falha na alternância de papéis tanto pode ocorrer porque um dos interlocutores não quer abrir mão do seu papel de falante ou de ouvinte. O primeiro caso (“pessoas que falam demais”) é mais comentado por aí do que o segundo (pessoas que “ouvem demais” ou “pessoas que falam de menos”).

- Falar demais

O falante compulsivo se dá ao direito de fazer todas as associações e desenvolver todos os assuntos que vão lhe passando pela cabeça. Ele só está interessado em se exibir, desabafar ou produzir determinadas reações no ouvinte. Não está interessado no que se passa com este. Falar demais anula o ouvinte e impõe-lhe um problema: ou suporta aquele falante desagradável ou age de uma forma rude para interrompê-lo. Duas medidas são sugeridas para evitar falar demais: (1) falar no máximo por cinco minutos e passar a palavra e (2) mencionar os temas e só desenvolvê-los à medida em que o interlocutor manifeste interesse.

- Recusar a palavra

Algumas pessoas se recusam sistematicamente a ocupar o papel de falantes. Quando são pressionadas a fazê-lo, falam o mínimo possível e da forma menos comprometedora possível. Isto cria uma conversa assimétrica e, geralmente, pouco interessante. A pessoa que fala pouco contribui menos, deixa de expor a sua posição, dá a impressão de pouco interesse e de falta de confiança em si mesmo e no interlocutor. Esta forma de participação é insatisfatória principalmente para os interlocutores que não são compulsivos para falar.

- Empurrar para o outro toda a tarefa de manter a conversa

Algumas pessoas não se sentem obrigadas a contribuir para o sucesso da conversa. Não se esforçam para agradar e para fazer o interlocutor se sentir bem. Aparentemente adotam a seguinte regra: “O outro que se vire para tornar as coisas interessantes. Vou ficar na minha.”
Existem várias formas de não contribuir para que a conversa fique interessante: não ajudar a procurar assuntos, não conduzir conversas amenas enquanto não aparece um assunto mais interessante, não funcionar como ouvinte ativo, não puxar assuntos, não mostrar envolvimento, não se manifestar (nem mesmo quando estiver achando a conversa interessante), não ajudar a manter e a desenvolver os assuntos propostos pelo interlocutor, entre outras.

- Mostrar desatenção

Esta forma é ainda mais grave de ouvir passivamente. O ouvinte passivo mostra sinais fracos de interesse e envolvimento. O desatento deixa de apresentar os sinais de atenção ou mostra sinais de atenção para outras coisas como, por exemplo, ficar olhando para o que está ocorrendo no ambiente ou apresenta sinais de que quer continuar a se concentrar em outra atividade (continua com um livro aberto na mão, continua com o corpo orientado para a televisão ligada etc.).

- Interromper demais

Certa vez fiz a seguinte experiência com meus alunos: fiz uma pergunta para um deles. Assim que ele começou a responder eu fiz outra pergunta. Assim que ele começou a responder esta segunda pergunta eu apresentei uma terceira, e assim por diante. Geralmente três ou quatro perguntas e interrupções de respostas deste tipo eram suficientes para fazer o aluno ferver de raiva. Ele se mostrava perturbado, frustrado e agressivo comigo. Só se acalmava um pouco quando eu explicava que este procedimento estranho e rude tinha o objetivo de demonstrar os efeitos da interrupção.
A interrupção pode acontecer em diversos contextos: no meio de uma palavra, no meio de uma frase, no meio de uma idéia ou de um tema. Uma quantidade moderada de certos tipos de interrupção pode ser bem-vinda. Por exemplo, as interrupções para fins esclarecimento (de um termo ou idéia), para mostrar o interesse e envolvimento do ouvinte no que está sendo dito, as interjeições ou comentários breves, que não exijam respostas elaboradas, podem indicar envolvimento do ouvinte, o que é motivador para o falante.

- Dar conselhos não solicitados

Muita gente confunde quando o interlocutor quer apenas relatar ou desabafar sobre um acontecimento com um pedido de conselhos. Os homens cometem muito este tipo de erro. As mulheres odeiam, por exemplo, quando começam a contar um fato aborrecido que ocorreu no trabalho e o marido logo se apressa em sugerir medidas que ela deveria tomar. Este tipo de conselho na hora errada encerra a fase de desabafo. Isto acontece principalmente quando o conselheiro espera que o outro passe a considerar aquilo que aconselhou e fica irritado quando o outro mostra resistência e não dá sinais de que vá implementar o sugerido.

- Ladrão de holofotes

Neste caso, o chato segue a seguinte regra: “O que aconteceu comigo é mais importante do que o que aconteceu com você”. “A minha notícia é mais interessante do que a sua”.
Quando este tipo de chato atua, a pessoa que introduziu o tema não consegue obter o impacto que queria. O tema pode continuar em pauta, mas agora quem o expressa é o ladrão. Ele continua a tratar do tema que o outro apresentou, mas da forma que o interessa: como o fato o afetou, como ele o vê, como tratou dele, enfim, como é mais importante a sua relação com o tema e do que daquele que o introduziu. Ele adquire o controle do tempo, da palavra e da forma.
Evitar ser chato já é meio caminho andado para uma boa conversa.

Escrito por ailton amélio da silva

SÃO PAULO, SP
Psicólogo clínico (telefone: (11) 3021 5833). Doutor em psicologia. Professor do Instituto de Psicologia da USP. Escritor.

Vampiros emocionais - "O perfil do Opressor"

O OPRESSOR
Ao te rebaixar ele sugará suas energias!

Este tipo de vampiro normalmente é encontrado entre aqueles que mais deveriam cuidar de você:
SEUS PAIS, SEU ESPOSO (A), UM NAMORADO (A)!

Eles são aqueles que jamais perdoam seus erros. Muito pelo contrário, eles sempre se esforçam para que os mínimos deslizes se transformem em motivos para sua condenação. E não importa o quanto se esforce para superar seus limites, para eles nunca será o suficiente.

O Opressor pratica seu vampirismo por meio do sadismo e da tortura mental, sempre procurando um meio de fazer com que você se sinta um completo incompetente.

Sim, geralmente diz coisas para te ofender ou ridicularizar.
A maneira com que retiram as energias de suas vítimas é por meio dos sentimentos de frustração, de quem se sente diminuído, incapaz até de conquistar um amor tão importante como o de um pai ou de um marido.

Quando oprimido, a pessoa fica inerte e esta é uma atitude bem típica de quem tem sido sugado há muito tempo: a submissão. Parece que para eles não existe mais dor, vergonha ou rancor, apenas conformismo..

Darei um exemplo comumente visto nos dias atuais:

Uma pessoa que, ao saber que sua filha iria se formar em Direito, fez a seguinte observação: "Mais uma ladra com diploma!" Ele poderia ficar feliz, poderia até mesmo não ter aberto a boca, mas sabia que este seu comentário a atingiria em cheio. Sim ele sentia muito ódio dela, porque o desafiou, recusando o papel que ele queria determinar em sua vida, de ser uma simples dona de casa. E é exatamente isto que eles querem: jogar para baixo para que possam sugar até a ultima gota. E quando não conseguem, ridiculariam as conquistas de quem os desafiou.

Não espere que atitudes como uma conversa franca, onde você tentará expor seus sofrimento diante de tanto desprezo, possa amolecer o coração deste vampiro, porque o Opressor tem seu ponto forte na arrogância. E como tal, ele faz uso do sarcasmo para atingi-la, pois conhece todas as suas fraquezas. Sim, para ele você é um livro aberto, uma presa fácil, porque cada feridinha na sua alma tem um dedo dele.

E falam sem parar, sem dar nenhuma chance de defesa, sempre com o dedo em riste, mandando que você se cale e termine de escutar o que ele tem para dizer. Perceba que geralmente as pessoas oprimidas, conforme vão sendo sendo atingidas pelas críticas de um opressor, vão dobrando o seu corpo e encolhendo. Quanto mais se encolhe, mais o opressor se ergue, em uma postura imponente, ameaçadora, repetindo pela milésima vez coisas que ja ficaram gravadas em sua mente.

O opressor raramente elogia, ele procura sempre os pontos falhos: Ele é o correto e o oprimido é o errado.

E muitas vezes, toda esta raiva ou "indignação" que sentem não passa de pura inveja. Sim, mesmo que sejam seus pais, muitas vezes esta inveja chega a ser tão grande que eles acabam fazendo de tudo para coloca-la em seu devido lugar: sob seus pés. E o mesmo acontece quando encontra um marido ou namorado opressor, porque eles nunca irão aceitar que sua luz possa brilhar em meio à escuridão de suas personalidades tão tacanhas.

Por que acha que existem tantos homens inúteis, que fazem de tudo para ridicularizar e apontar todos os defeitos de suas mulheres, e depois que conseguem suga-las, acabar com todo sua energia, se vão satisfeitos? Sim, eles deixam o bagaço e partem em busca de novas vítima, porque precisam muito fazer o mal para que não se sintam tão medíocres.

"Não sorria perto de mim, porque seu sorriso significa que ainda existe algo que não te roubei..."

"Não olhe para os lados, porquê o seu encanto pode enaltecer a sua luz e sou eu quem brilho e, se você brilha, eu preciso dele só para mim..."

Muita gente acha que o incômodo que muitos homens sentem diante do sucesso de suas parceiras - principalmente elas ganham mais que eles - não passa de insegurança ou recalque masculino, mas não é bem esta a verdade. O que acontece é que estes homens se sentem ofendidos por elas serem melhores que eles, e como não conseguem supera-las, preferem rebaixa-las! Resumindo: o que eles não podem controlar, destroem!


"Você não sabe fazer nada certo, sua incompetente!" , "Sinto vergonha de ter uma filha como você!!", "Ninguém no mundo vai querer se casar com você"...

Quantas vezes já ouviu de quem deveria te amar, frases como estas? E quantas vezes ficou imaginando sobre o que fez de errado para merecer este tipo de coisa?

Na realidade você não fez nada de errado, e nem deve gastar seu tempo tentando remediar uma situação onde você não passa de uma presa indefesa...Tão indefesa que se entrega de braços abertos à este ser destrutivo.

E o poder de destruição que eles tem é algo insuperável. Basta ver o estrago que fazem em suas vítimas, deixando-as secas e sem vida, sempre dependentes de um amor ou carinho que nunca virá.

Não tem jeito, enquanto você achar que deve conquistar este amor , mais depressa sua energia será sugada.

O Opressor decretou que fará de sua vida um inferno, para que você acredite que ele sempre teve razão quando dizia que não servia pra nada. Então, quando você estiver derrotado por acreditar em suas palavras, ele apontará o dedo e dirá:

"Eu sempre soube que você não ia ser nada na vida!”

(Desabafo de uma juíza formada - A moça do exemplo dado aqui - aquela que se formou em direito - onde o pai disse que ela seria mais uma ladra)

Força do bem

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Lua e a Menstruação



(Texto extraído da revista Super-interessante)

A cada 28 dias a Lua completa seu ciclo de crescente a minguante. A Lua Nova marca a primeira iluminação e um fiapo fica visível no céu noturno. A Lua então cresce até o primeiro quarto, quando se pode visualizar a metade de seu disco. Continua a crescer e completa-se até atingir a Lua Cheia. Neste ponto, começa a diminuir de tamanho até o terceiro quarto, quando novamente só se vê a metade do disco e continua assim até que não se veja mais seu disco. Em quinta fase, esta Lua Escura dura três noites e esta, é este é o mais poderoso de todos os ciclos da Lua.
A Lua, com seu ciclo de nascimento, crescimento e morte, é um lembrete poderoso, todos os meses, da natureza dos ciclos. Em épocas remotas, os ciclos menstruais das mulheres eram perfeitamente alinhados com os da Lua. A mulher ovulava na Lua Cheia e menstruava na Lua Escura. A Lua Cheia era o ápice do ciclo da criação, era quando o óvulo era liberado. Nos 14 dias que antecedem esta liberação, as energias da criação reúnem tudo que é necessário para constituir o óvulo. Quando passava a Lua Cheia e o óvulo não era fertilizado, tornava-se maduro demais e se decompunha, derramando-se no fluxo natural de sangue na Lua Escura. Quando a mulher vive em perfeita harmonia com a Terra, ela só sangra os três dias da Lua Escura. Quando a Lua Nova emerge, seu fluxo naturalmente deve cessar e o ciclo da criação é reiniciado dentro dela.
Em nossa sociedade atual, o uso de pílulas anticoncepcionais, fez com que a mulher deixasse de incorporar e compreender este ciclo de criação e destruição dentro de si.
Alguns índios norte-americanos consideravam a Lua uma mulher, a primeira Mulher e, no seu quarto minguante ela ficava "doente", palavra que definiam como menstruação. Camponeses europeus acreditavam que a Lua menstruava e que estava "adoentada" no período minguante, sendo que a chuva vermelha que o folclore afirma cair do céu era o "sangue da Lua".
Em várias línguas as palavras menstruação e Lua são as mesmas ou estão associadas. A palavra menstruação significa "mudança da Lua" e "mens" é Lua. Alguns camponeses alemães chamam o período menstrual de "a Lua". Na França é chamado de "le moment de la luna".
Entre muitos povos em todas as partes do mundo as mulheres eram consideradas “tabus" durante o período da menstruação. Este período para algumas tribos indígenas era considerado um estado tão peculiar que a mulher deveria recolher-se a uma "tenda menstrual" escura, pois a luz da Lua não deveria bater sobre ela. O isolamento mensal da mulher tinha o mesmo significado que os ritos de puberdade dos homens. Durante este curto espaço de tempo de solidão forçada, as mulheres mantinham um contato mais íntimo com as forças instintivas dentro de si.
Em tribos mais primitivas, nenhum homem podia se aproximar de uma mulher menstruada, pois até sua sombra era poluidora. O sangue menstrual, nesta época, era tido como contaminador. Acreditavam também, que a mulher menstruada tinha um efeito poluente sobre o fogo e se por algum motivo se aproximasse dele, esse se extinguiria. Ainda, de acordo com o Talmude, se uma mulher no início da menstruação passasse por dois homens, certamente um deles morreria. Se estivesse no término de seu período, provavelmente causaria uma violenta discussão entre eles.
Por vários motivos as mulheres acabaram impondo a si mesmas uma abstinência, muito embora, tanto nelas como nos animais, o período de maior desejo sexual é imediatamente anterior ou posterior a menstruação.
Na Índia, acredita-se ainda hoje, que a Deusa-Mãe menstrual. Durante essa época, as estátuas da deusa são afastadas e panos manchados de sangue são considerados como "remédio" para a maior parte das doenças. Na Babilônia, pensava-se que Istar, a Deusa Lua, menstruava na época da Lua Cheia, quando o "sabattu" de Istar, ou dia do mal, era observado. A palavra "sabattu" vem de sabá e significa o descanso do coração. É o dia de descanso que a Lua tem quando está cheia. Este dia é um percussor direto do sabá e considerava-se desfavorável qualquer trabalho, comer comida cozida ou viajar. Essas eram as coisas proibidas para a mulher menstruada. O sabá era primeiramente observado somente uma vez por mês e depois passou a ser observado em cada uma das fases da Lua.
Hoje, uma compreensão científica e objetiva já nos livrou de todos estes tabus, mas é bom lembrar que em certo momento histórico, inconscientemente, a natureza instintiva feminina podia provocar a anulação dos homens.
A natureza da mulher é cíclica e bem separada de seus desejos pessoais e ela experimenta a vida através desta natureza sempre mutável. As mudanças mais marcantes de seu comportamento acontecem em relação aos seus sentimentos. Tudo pode estar auspicioso e alegre em certo momento, mas passado pouco tempo poderá estar melancólico e deprimente. Desta forma, sua percepção subjetiva da vida é projetada para o mundo exterior e a mulher pode sentir a mudança cíclica como uma qualidade da própria vida.
No curso de um ciclo completo, que corresponde à revolução lunar, a energia da mulher cresce, brilha esplendorosa e volta a minguar totalmente. Essas mudanças afetam-na tanto na vida física como sexualmente e também psiquicamente. Na mulher, a vida tem fluxo e refluxo que é dependente de seu ritmo interno. O ir e vir da energia, quando perfeitamente compreendido pela mulher, pode presenteá-la com uma oportunidade de trabalho ou uma aventura espiritual, a qual ela espera há muito tempo. Se a Lua lhe for favorável, ela poderá ter uma vida mais livre e cheia de oportunidades, mas se a Lua estiver desfavorável, pode perder sua chance, sendo incapaz de recuperá-la. Não é de admirar que nossos ancestrais chamassem a Lua de "Deusa do Destino", pois realmente é fato que ela influência no destino da mulher, assim como dos homens também, embora inconscientemente.
No mundo patriarcal, as mulheres descuidaram-se de seus ritmos para tornarem-se competitivas e o mais próximas possíveis dos homens. Caíram, sem perceber, sob o domínio do masculino interior, perdendo o contato com seu próprio instinto feminino, passando a viver somente através das qualidades masculinos do "animus". Entretanto, negar sua identidade é constituir-se em um ser sem alma. Não é incorporando os valores masculinos ou tentando imitar seu comportamento que terá reconhecido o seu valor. A mulher deve ser reconhecida também, pela sua dimensão feminina e não pela sua dissociação da sua realidade psíquica.

A primeira face da Deusa é a Donzela, ou Virgem e que corresponde a Lua Crescente. Representa a juventude, a vitalidade, à antecipação da vida, o início da criação, o potencial de crescimento e a semente do "vir a ser".
A Lua Crescente, portanto, liga-se a "virgem", a mulher solteira e sugerem inúmeras promessas ocultas de crescimento, de riqueza, de criatividade e de prazer. Esta Lua nos faz voar a um mundo de sonhos e devaneios. Nos tornamos seres alados que levitam num céu estrelado de possibilidades, onde o impossível torna-se realidade. É o verdadeiro despertar de Eros, do amor, da vida que não nos impõe nenhum obstáculo. Neste mundo onde tudo é possível a mulher personifica-se como a eterna amante, a musa inspiradora que concretiza a eterna felicidade.
A mulher na Lua Crescente consegue expor sua feminilidade com muita espontaneidade. Ela é a personificação da deusa em sua manifestação instintiva e natural, buscando sua essência. Ela é rica em fertilidade e possibilidades, sem limites. Precisa de todo o espaço para expandir-se e manifestar-se. É erva que se alastra e cobre tudo, pois ela é livre, animal sem dono, que não admite ficar presa a ninguém. Dona de si mesma, ela se rege, se governa por seus princípios internos, muitas vezes à custa de muito sofrimento, pois toda liberdade tem seu preço.
Este princípio feminino é representado por várias deusas e uma delas é Ártemis, a arqueira-virgem e amazona infalível, que corria livre pelos campos e de coração solitário. Ela é arquétipo da feminilidade mais pura e primitiva. Ela santifica a solidão e a vida natural. E, é ela que garante a nossa resistência a domesticação. Outra deusa da Lua Crescente é Inanna, uma antiga entidade suméria que é portadora de qualidades lunares femininas. Em época de mudanças, esta deusa sempre está presente e pode ser invocada.
As mulheres que incorporam os atributos da Lua Crescente são muito sensuais, verdadeiras Afrodites contemporâneas e conhecedoras da influência de seus poderes. Sentem orgulho de seu sexo e possuem uma vitalidade rara, somada a uma ansiedade de ampliar os horizontes de seu psiquismo. Jamais se adaptam a limites sociais e culturais, pois seu desejo de expansão é incontrolável. Estão sempre mudando, são mulheres inquietas e instáveis. Como a Lua Crescente, revolucionam, criam e transformam constantemente. São difíceis de serem civilizadas, pois como Ártemis, possuem um amor intenso pela liberdade, pela independência e autonomia. Possuem temperamento estouvado e aprendem muito cedo a engolir suas lágrimas e planejar vinganças pelas humilhações que sofrem, devolvendo na medida certa o que receberam.
Para um homem relacionar-se com uma mulher-lua-crescente, pode ser um desafio e tanto. Igualmente, a mulher que penetrar fundo nesse lado de sua natureza Artemísia, precisará reconhecer o poder primitivo de sua sanguinolência e o efeito que pode ter sobre o homem. A Lua Crescente nos põe em contato com todos esses aspectos da natureza feminina.
O aspecto de Mãe da Deusa sempre foi o mais acessível para que a humanidade o reconhecesse, invocasse e o identificasse. A Lua Cheia está associada à imagem maternal da Deusa, à mulher em toda a sua plenitude, ao potencial pleno da força vital. Ela corresponde ao crescimento e amadurecimento de todas as coisas, ao ponto culminante de todos os ciclos, à semente germinada e à plenitude do caldeirão.
Na Lua Cheia entramos em outra dimensão do feminino, aqui o instinto se coloca a serviço da criação e da humanização. Esta é a fase lunar que é iluminada pelo Sol em sua totalidade, indicando mais clareza de consciência e um melhor relacionamento entre masculino e feminino, o que propicia a criação.
A Lua Cheia é a Lua Grávida de criatividade, de riqueza e da realização do próprio crescimento. É a imagem da Mãe, com o poder divino de carregar uma nova vida em seu ventre. É ela que gera, promove o crescimento e dá o nascimento. Ela é a deusa da maternidade, que traz consigo a fertilidade para a terra e para os homens.
A Lua Cheia nos conecta com a terra, nos coloca em contato com os valores terrenos, é o próprio amor realizado. Esta Lua-Mãe, foi expressa mitológicamente pelos gregos como Deméter com sua prodigiosa energia para nutrir e acalentar e sua dedicação desinteressada para com os filhos e a família. Esta deusa-mãe também é visualizada em Cibele, Ísis, em Astarté. Todas aparecem sempre com o filho, o que pressupõe uma capacidade de relacionamento e reprodução realizada. O filho representa o nascimento, o Logos no feminino. A Lua, deste modo, relaciona-se com o mundo de maneira mais humana, através de seu filho. Estabelece-se assim, um contato mais íntimo entre o mundo interno e o externo, do divino com o terreno e do espiritual com o material.
A maternidade em si já é uma doação, mas também se associa à capacidade de sacrifício. Todas as deusas citadas têm em comum o fato de terem um filho que morre e depois ressuscita. O filho seria a semente que morre, se decompõe na terra, para trazer em seguida a renovação da vida. Mas, enquanto não chega à hora do sacrifício, o filho reina junto com a Mãe-Lua e é controlado por ela.
A mulher regida pela Lua Cheia é mais confiável, pois se assemelha à Mãe. Ela é acolhedora, mais domesticada e sempre se coloca à disposição e proteção do outro. Esta mulher tem os pés no chão e seus mistérios não são tão ocultos, pois ela se revela mais claramente. Ela acolhe a criação, que é a união do masculino com o feminino. Mas esta mulher tem uma preocupação exagerada com a segurança, o que impede o seu aprofundamento em seus relacionamentos, pois o contato mais íntimo, pode constituir-se em uma ameaça. Desenvolve então, um controle fora do comum e nada pode pegá-la desprevenida. Aqui se desenvolve um impedimento a sua criatividade, pois seus passos são calculados, evitando confrontar-se com o desconhecido, que podem lhe proporcionar surpresas desagradáveis.
A mulher-lua-cheia é a esposa e mãe perfeita, desfaz-se em eficiência e cuidados, mas faltam-lhe a paixão e a inquietação.
O terceiro aspecto da Deusa, a Anciã, corresponde à fase da Lua Minguante, sendo o menos compreendido e o mais temido.
A Lua Minguante define-se no acaso e na velhice. É aquela que encerra em si a sabedoria e os segredos nunca revelados. Está associada à velha bruxa, ao deteriorar da força vital, ao envelhecimento, assim como, aos poderes de destruição e da morte, à destruição do impulso de Eros.
A mulher que é regida pela Lua Minguante é misteriosa e por vezes indefinível. Parece possuir um potencial para realização de algo que é difícil definir com exatidão. Possui virtualidades pressentidas, mas nem sempre realizadas. Ela mesma não se define de maneira consciente e clara. Possui também uma certa dificuldade em lidar com os aspectos da vida consciente. Esta é a mulher que vive no "mundo da lua". Está sempre descobrindo novas possibilidades, mas tem certa dificuldade em direcioná-las e nunca consegue finalizar o que começou.
Como está mais próxima e mantém constante contato com as fontes inconscientes da fertilidade, aparenta estar realizando algo, mas que pode nunca concretizar. É sempre suscetível a perder-se em sonhos e devaneios em função da dificuldade que tem em lidar com o concreto e o real. O seu maior obstáculo é o tempo presente, pois está sempre voltando ao passado, revendo tudo o que foi capaz de realizar, ou lamentando o que deixou de fazer. Ela está sempre distante do presente e por isso torna-se fria e distante dos outros, devido ao seu excesso de auto-referência.
A sua criatividade, se não submetida ao controle do ego consciente, pode assumir uma forma caótica e desordenada. A sua maior dificuldade está em mobilizar e dirigir essa energia. Possui todo o potencial para a criação por seu acesso fácil às fontes criadoras lunares, mas necessita compreender e separar a mistura urobórica criativa, a fazer a ordenação do caos, para que ele se transforme num cosmo criativo.
A mulher Lua Minguante possui uma energia muito forte, mas ela pode manifestar-se de maneira tanto construtiva, como destrutiva, dependendo da forma como trabalha o seu consciente. A necessidade de mudança também está sempre determinando seu comportamento. O que mais importa para ela é o próprio processo do que o objetivo final, o caminho não tem tanta importância, mas premente é a necessidade de fazer a passagem.
A introspecção ao mundo interior ocorre facilmente para a mulher regida pela lua minguante. A sua maior dificuldade está no fato de tornar-se produtiva e realizar toda a fertilidade encontrada. Se não conseguir direcionar essa vitalidade, objetivando-a e encaminhando-a para a realização criativa, toda essa riqueza pode se tornar inútil.
A Lua Minguante sempre serviu como vaso adequado para a projeção de todo o lado sombrio, tanto do homem como da mulher. Aqui se penetra no reino de Hécate e Lilith e tantas outras deusas que apresentam aspecto sombrio, mas que pode no final nos trazer a iluminação. Talvez se torne necessário para a mulher fazer um acordo com estas deusas, para que elas a presenteiem com a possibilidade de um enriquecimento de personalidade, permitindo a sua expressão de uma forma mais humanizada e não tão instintiva. Deste modo, as dimensões do instinto poderão ter uma via mais integrada, em que pode haver a participação de novas forças energéticas.

É observando e reconhecendo os movimentos da Lua no céu e integrando as suas três fases, que poderemos nos alinhar e sintonizar com o fluxo do tempo e com os ritmos naturais. Nos utilizando os poderes mágicos da Lua e reverenciando as Deusas ligadas a ela, criaremos condições para melhorar e transformar nossa realidade, harmonizando-nos e vivendo de forma mais equilibrada, plena e feliz.
Hoje, a maioria das religiões, concebe como única e suprema uma divindade que é masculina, entretanto, ao resgatarmos tradições mais antigas, aprendemos que anteriormente, tanto o homem quanto a mulher, cultuavam uma Grande Mãe. O resgate destas tradições nos leva a compreender que homens e mulheres nasceram para viver em parceria e que, nós mulheres, podemos honrar o espírito feminino, buscando o equilíbrio e a paz, para ambos os sexos.
As mulheres, nos últimos anos, desbancaram a bandeira de sexo frágil. Elas batalharam e conseguiram a independência, poder e reconhecimento. Em pé de igualdade com o homem, hoje tem como meta principal conciliar carreira, maternidade e encontrar um homem ideal. Os homens em contrapartida, não mudaram tanto assim, não acompanhando o ritmo veloz feminino. Em conseqüência disto, criou-se um abismo entre os dois sexos. Mas, felizmente, as mulheres jamais abandonaram o seu ideal romântico de encontrar um companheiro para caminhar lado a lado. Todas anseiam apaixonar-se e casar, mas não abrem mão da busca do sucesso profissional. Assim, alegam a maioria delas, se fracassarem na vida sentimental, terão o trabalho para satisfazê-las e ocupá-las. Devem então, ter muito cuidado para não investir tempo integral às suas carreiras, pois fatalmente, por total falta de tempo matarão sua vida afetiva.
O amor e a maternidade para a mulher é um fator mais do que biológico. Ir contra a sua natureza fará com que a mulher deixe de usufruir uma realização pessoal.
O homem também obteve alguns avanços e hoje, ele parece estar mais disponível e sensível. A cada dia vislumbram-se pais mais participantes, amantes mais amorosos e companheiros que dividem com a mulher as tarefas rotineiras da casa. Estamos, entretanto ainda, em um momento de transição, onde os papéis masculinos e femininos não estão bem delineados. O homem continua a não saber direito lidar com suas emoções em função de sua postura cultural e a mulher buscou e conquistou a independência, o reconhecimento e a igualdade. Mas bem no íntimo, ela continua romântica e deseja ser conquistada. No fundo, talvez não imaginasse que pudesse ir tão longe para depois se sentir perdida. Com tantas conquistas, vieram também às armadilhas e ela acabou sobrecarregada, pendendo de um lado para o outro com a expansão das possibilidades.
Este é o momento da mulher parar de provar que pode tudo e unir-se em companheirismo com o homem. Se realmente buscamos construir uma sociedade equilibrada e serena, todas as idéias egocêntricas de superioridade e culto à guerra sexista deve desaparecer entre os homens e mulheres, dando lugar a uma visão cósmica de complementaridade entre os sexos

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