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Palavras ditas por Buda (Gautama), há mais de 2500 anos... E ainda hoje são atitudes que precisamos tanto ouvir!! Não acredite em tudo sem analisar!!

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sobre o Amor (Krishnamurti)


Descobriremos o que é o amor se compreendermos o que o amor não é, porque, sendo o amor o desconhecido, só podemos nos aproximarmos dele depois de rejaitar o conhecido. O desconhecido não pode ser descoberto pela mente que está repleta do conhecido. O que vamos fazer, é procurar compreender os valores do conhecido, considerar o conhecido e, depois de o considerarmos, pura e simplesmente, sem condenação, a mente se tornará livre dele e saberemos, então, o que é o amor. Assim, devemos chegar-nos ao amor de maneira negativa e não, positiva.

O que é o amor para a maioria de nós? Quando dizemos que amamos uma pessoa, o que queremos dizer? Queremos dizer que possuímos a pessoa. Da posse nasce o ciúme, porque se eu o perder, ou a perder, o que acontecerá? me sentirei vazio, perdido. Por conseguinte, legalizo a posse, retenho-o, ou retenho-a em meu poder. Do possuir a pessoa, resulta o ciúme, resulta o temor e os inumeráveis conflitos inerente a posse. Ora, posse não é amor, é?

O amor, por certo, não é um sentimento. Ser sentimental, ser emotivo, não é indício de amor, porque a sentimentalidade e a emoção, não passam de meras sensações. A pessoa religiosa, que chora por Jesus, por Krishna, por seu guru ou por outro qualquer, é apenas sentimental, emotiva. Está se deixando dominar pela sensação, que é um processo do pensamento e o pensamento não é amor. O pensamento é resultado da sensação; assim, a pessoa sentimental, emotiva, não pode, de modo algum, conhecer o amor. Não somos emotivos e sentimentais? A sentimentalidade, a emotividade, são apenas uma forma de auto-expansão.  Estar cheio de emoção não é amor, por certo, porque uma pessoa sentimental pode ser cruel, quando seus sentimentos não são correspondidos, quando não pode dar expansão aos sentimentos. Uma pessoa emotiva pode ser incirada ao ódio, à guerra, ao morticídio. O homem sentimental, lacrimosamente religioso, esse homem por certo não tem amor. 

Perdão é amor? O que subentende o perdão? Você me insulta, eu me ressinto; guardo na memória o insulto. Depois, forçado pelas conveniências ou pelo arrependimento, digo, "lhe perdôo". primeiro guardo, depois rejeito. O que significa isso? Que eu continuo a ser a figura central. Continuo a ser importante; sou eu quem está perdoando. Com essa atitude eu é que sou importante, não o homem que supostamente me insultou. Por conseguinte, quando acumúlo ressentimentos, e depois rejeito esses ressentimentos, e a isso chamo eprdoar, não há amor. O homem que ama não guarda inimizade, todas essas coisas lhe são indifererentes.   Arrependimento, perdão, um estado de relação em que há posse, ciúme, medo — nada disso é amor. São só coisas da mente, não é verdade? Enquanto a mente for o árbitro, não há amor, porque a mente só arbitra segundo seu interêsse de posse, e seu veredicto é sempre em favor da posse, sob diferentes formas. A mente pode apenas corromper o amor; não pode fazer nascer o amor, não pode oferecer beleza. Você pode descrever um poema sobre o amor, mas isso não é amor. 

Por certo, não há amor, quando não há verdadeiro respeito, quando não respeitamos os nossos semelhantes, seja nosso criado, ou nosso amigo. Você já notou que não sabe respeitar, que não sabe ser benevolente, generoso para com seus criados, para com as pessoas ditas subalternas? Vocês têm respeito pelos que estão em cima, pelo patrão, pelo milionário, pelo homem que tem uma suntuosa residência e um título, pelo homem que pode lhes dar uma posição melhor, um emprego melhor, de quem vocês podem ganhar alguma coisa.Mas vocês tratam a pontapés os que estão abaixo de vocês; para esses, você têm uma linguagem especial. Por conseguinte, onde não há respeito, não há amor. Onde não há compaixão, caridade, benevolência, não há amor. E como a maioria de nós se acha nesse estado, não temos amor. Não somos nem respeitosos, nem compassivos, nem generosos. Somos dominados pelo desejo de posse, cheios de sentimentos e emoções, que podem ser dirigidos para qualquer lado, para o assassínio, para a matança, ou para a unificação em torno de algum plano estravagante e ignorante. Em tais condições, como pode haver amor? 

Vocês só conhecerão o amorquando todas essas coisas tiverem cessado, acabado, quando você não possuírem, quando não forem emocionalmente devotos à um objeto. Tal devoção é súplica, é busca de alguma coisa, de maneira diferente. O homem que reza não conhece o amor. Visto que vocês têm inclinação para a posse, visto que buscam um fim, um resultado pela devoção, pela oração, que torna vocês sentimentais, emotivos, não existem, naturalmente, amor; não há amor, é evidente, quando não há respeito. Vocês podem dizer que tem respeito, mas o respeito de vocês é pelo superior, simples respeito inspirado pelo desejo de alguma coisa, ou respeito do medo. Se vocês sentissem respeito, realmente seriam tão respeitosos para com os mais humildes como para os chamados superiores. Como não temos esse respeito, não temos amor. Quão piucos de nós são generosos, indulgentes e caridosos! Vocês são generosos quando quando isso lhes compensa; você são caridosos quando esperam alguma retribuição. Quando essas coisas desaparecerem e deixarem de ocupar as suas mentes, e quando as coisas da mente não mais encherem os seus corações, então haverá amor. E só o amor pode transformar a loucura, a insanidade que vai pelo mundo hoje em dia — e não os sistemas, nem as teorias,  quer da esquerda, quer da direita. Só amam realmente, quando não possuem, quando não são invejosos, ávidos, quando são respeitosos, quando vocês têm compaixão e caridade, quando vocês têm consideração para com sua esposa, seus filhos, seu vizinho, seus pobres criados. 

O amor não pode ser pensado, o amor não pode ser cultivado, o amor não pode ser exercitado. A prática do amor, o exercitar da fraternidade,  está ainda dentro da esfera da mente e, por conseguinte, não é amor. Quando tudo isso tiver cessado, então, nascerá o amor, e você saberão então o que é amar. O amor não é então quantitativo, mas qualitativo. Vocês não dizem "amo o mundo inteiro"; quando sabem amar a um só, sabem amar o todo. Porque não sabemos amar a um só, nosso amor à Humanidade é fictício. Quando você amam, não há nem um, nem muitos: só há amor. 

Só quando houver amor, poderão todos os problemas ser resolvidos, e  conheceremos então a sua bem-aventurança, sua felicidade.

Krishnamurti - A primeira e última liberdade - Cultrix

Sobre o Amor (Parte II)


O que é o amor para a maioria de nós? 
Quando dizemos que amamos uma pessoa, o que queremos dizer? 
Queremos dizer que possuímos a pessoa. 

Da posse nasce o ciúme, porque se eu o perder, ou a perder, o que acontecerá? me sentirei vazio, perdido. Por conseguinte, legalizo a posse, retenho-o, ou retenho-a em meu poder. Do possuir a pessoa, resulta o ciúme, resulta o temor e os inumeráveis conflitos inerente a posse. Ora, posse não é amor, é?

O amor, por certo, não é um sentimento. 

Ser sentimental, ser emotivo, não é indício de amor, porque a sentimentalidade e a emoção, não passam de meras sensações. 

A pessoa religiosa, que chora por Jesus, por Krishna, por seu guru ou por outro qualquer, é apenas sentimental, emotiva. Está se deixando dominar pela sensação, que é um processo do pensamento e o pensamento não é amor. 

O pensamento é resultado da sensação; assim, a pessoa sentimental, emotiva, não pode, de modo algum, conhecer o amor. Não somos emotivos e sentimentais? 

A sentimentalidade, a emotividade, são apenas uma forma de auto-expansão. Estar cheio de emoção não é amor, por certo, porque uma pessoa sentimental pode ser cruel, quando seus sentimentos não são correspondidos, quando não pode dar expansão aos sentimentos. 

Uma pessoa emotiva pode ser incitada ao ódio, à guerra, ao morticínio. O homem sentimental, lacrimosamente religioso, esse homem por certo não tem amor. 

- Krishnamurti - A primeira e última liberdade - Cultrix 

domingo, 28 de março de 2010

Conheça-te a Tí mesmo

O Mensageiro da Estrela

Por J. Krishnamurti, tal como impresso na revista The Herald of Star no número de Maio de 1925

Penso que não existe tema mais interessante ou mais prometedor, ou de alguma forma mais excitante, que faz o estudo de nós mesmos. Aos 15 ou 16 anos, estamos submersos em nós mesmos. Não há nada que nos interesse tanto. Depois apaixonamo-nos por alguém, mas ainda assim nós estamos extasiados com Próprios. Há, descobrimos, muito mais inteligência no estudo de nós mesmos, e muito pouco pensamento dedicado aos outros. E de bom grado um damos uma quiromante 15 Rupias para ela nos contar tudo sobre nós. E sentimo-nos bastante confortáveis com o pensamento de que iremos ser grandes um dia - sem, aparentemente, ter essa grandeza que lutar por. Existe apenas um tema que nos atrai e esse somos nós mesmos. Discutimo-nos, e de uma forma aprobatória Consideramos como nos comportar, de modo que desenvolvermo-nos, e por aí em diante.

Parece-me que se pensarmos Inteiramente Deste ponto de vista, unicamente deste ponto que nos interessa a nós, não entenderemos porque é que existimos, ou porque qualquer coisa neste mundo, de todo, existe. Claro que é verdade que primeiro temos de nos compreender a nós mesmos antes de querer descobrir seja o que for sobre a vida em geral. Filosofia, religião e outros temas Possuem valor não real, real Controlo sobre um indivíduo, ou apenas Tem uma pequena influência, quando somente podemos Apontam como escapar uma Certas Coisas, Como Evitar o mal, e por ai fora. Mas Aqueles de nós que são membros da Star, pertencem ou uma Organizações tais, Deverão ter uma ideia de um plano definido que uma está Desenvolver-se.

Estamos Em posição de examinar as coisas que nos são mais valiosas - coisas que produzem em nós o desejo de evoluir. Em todos nós existe o desejo de descobrir por nós mesmos até onde podemos compreender quem somos eo que nos afecta. Uma pessoa comum está de longe mais interessada nela mesma do que em qualquer outra. Luxúria, conforto, felicidade, APOIAR que tudo tem os seus fins. Quando tudo foi feito para satisfazer uma então somente pensa nos outros. Quando eu tiver comido e dormido o suficiente, voltar-me-ei para pensar nos outros. Esta é uma visão comum. Se tiveste abundância em amor, felicidade ou, és Levado um outro sem pensar.

Mas Para alcançar essa felicidade, devemos descobrir até onde nos encaixamos num plano definido. Devemos estar cientes de que há um plano em que cada um de nós tem um papel um representar, devemos e Possuir uma determinação agiremos na qual, com um deveremos Criar Qual o ambiente não caberemos qual - ou não, e se estivermos dispostos com uma Procurar uma atitude correcta deveremos ser Capazes de descobrir até onde nos encaixaremos nesse plano. Para mim, posso imaginar que os Deuses Eleitos disseram que Krishna Deverá encaixar-se num certo plano estabelecido, e que o quer que seja que ele faça, não terá valor, e enquanto encaixar nesse plano, Krishna crescerá e será feliz. Eu estava interessado e observava-me mesmo a mim, e podia ver de ano para ano uma mudança definida, uma orientação definida, uma transformação definida podia ver era e qual o meu papel definido. E assim cada um de nós Deverá descobrir que e qual caminho percorrer um ter uma especialidade.

Acontece que Frequentemente A maioria de nós está disposta a subir até ao altar e verter uma Devoção Nossa. A Devoção existe, em graus diversos, Na maioria de nós, mas não pode satisfazer nem DEVE-nos. Se eu fosse ter com uma Dr. ª Besant e lhe disesse: "Estou disposto a servi-la em qualquer uma das minhas capacidades. Estou disposto a sacrificar um tudo eo meu único desejo é trabalhar para Independência Obter conforto, e por aí fora ", ela diria," Oh, muito bem; capacidades que trazes contigo. De que modo queres prestar serviço ao Mestre? "A Devoção DEVE ter um escape na actividade física, e desta forma se tivermos de Determinar qual o papel que cada um de nós tem de representar, antes de nos oferecermos, devemos descobrir Quais as capacidades que temos. Para quando um Teósofo ou um membro da Star ou outro qualquer, o Chamamento aparece como "sacrifica e vem tudo ao Mestre," não é suficiente pedir ao Mestre que aceite somente a nossa Devoção, devemos dar-lhe qualquer coisa que lhe guiar Permita - nos. Por outras palavras, devemos trazer Perante o Mestre Certas capacidades e não aparecer apenas de mãos vazias. Se eu puder chegar junto do Mestre e dizer "Eu posso fazer isto ou aquilo, eu posso escrever ou pintar ou compor música ou representar", Ele dirá: "Muito bem, esse é o teu caminho. Vai e procura, descobre Quais são os teus talentos, e os que encontres logo, saberás como sofrer e servir. "Pois existem muito poucos que realmente conseguem dizer," Eu posso fazer isto, ao longo desta linha residir o meu sacrifício ao serviço do Mestre. "Consideramos que nos sacrificámos quando terminamos algo sem fazer qual podemos facilmente abrir mão.

Se eu tivesse imaginado que algo em especial o Mestre Quisesse realizado, eu trata-lo-ia de outro modo. E se eu precisasse de riquezas, tê-las-ia acumulado, não para mim, mas para o Mestre, e ao acumula-las, saberia que tinha que sacrificar-me, e tinha que Suportar enormes sofrimentos e mal-entendidos. Mas é uma atitude que conta. Estamos com medo de que as nossas capacidades não nos guiem pelo caminho que nos foi preparado. Assim temos que descobrir antes de servir realmente, de que maneira cada um de nós pode servi-Lo, de que modo podemos Oferecer o nosso sacrifício, e ao descobrir qual o nosso caminho deveremos descobrir um tipo qual pertencemos, se ao tipo que vai para o mundo e se desenvolve no mundo, por assim dizer, ou é deixado numa estufa e evolui, como uma planta, igualmente cheio de força. Há pessoas que resultados obtêm no mundo por vários anos, e que resultados obtêm fazem de tudo sem descobrir qual o propósito da vida. Descobrem o seu propósito por acaso, mas não acumularam tanto que o mundo tem para dar que ao entrarem em contacto com as realidades espirituais abrem mão de tudo o que adquiriram, enquanto Aqueles que cresceram separados numa estufa do mundo alcançam o Objectivo por outro caminho.

Portanto não tem tal Importância desde que tenhamos aprendido o que ambas as guerras de Oferecer pueden identidade, e não até então Estarão aptos a servir o mundo. Imaginem apenas uma pessoa que é criada, diga-se, num templo onde é REPRIMIDA, onde desenvolve complexos. Assim que essa pessoa sai lá para fora para o mundo, tem a melhor das diversões, e é o mesmo com uma pessoa que trabalha cá fora Mundo não. Não podemos evoluir ao longo de uma linha definida. Devemos evoluir em todas as direcções e até lá não ajudamos atrapalharemos e só.

Tal como eu conheço o meu próprio caminho, cada um de nós Deverá também descobrir o seu caminho e até essa descoberta ser feita não devemos estar prontos ou aptos para servir o Mestre. Aqueles de nós que tem imaginação, em certo grau que tem a Capacidade de tomar uma visão da vida impessoal, isto descobrir también. Mas A maioria de nós não o tem desejo de servir, nem o desejo de Alcançar o seu caminho ou objectivo.

O nosso problema é que tal como no mundo exterior, temos os nossos direitos Adquiridos. E desde que exista o elemento de egoísmo, não descobriremos o caminho. Cada um de nós quer que o Mestre desça até si, mas o que não aprendemos foi que, imaginamos como mesmo, se Ele descesse das nuvens, seríamos incapazes de O servir, porque não nos equipámos para Lhe prestar serviço.

Devemos descobrir de que maneira podemos servir, e isso implica uma completa Violação de nós mesmos, das nossas relações, etc Não é que não tenhamos o desejo, nem a nostalgia que as grandes Têm pessoas, mas em nós não é constante. Não existe aquela pressão contínua que Mantêm nos a andar, a andar, a andar. Significa verdadeiro sacrifício, Subjugar significa-nos em tudo e não deixar o ego (uma personalidade, o eu) ficar-se por cima. Então deixaremos de Distorcer as coisas para que se encaixem nos nossos preconceitos, mas compreendê-las-emos de um modo total, por outras palavras, tornam-se realmente simples.

Devemos ter uma coragem e determinação para desistir, e quando subimos e atingimos uma certa

Cada um de nós sabe destas coisas de fio a pavio, e mesmo assim se o Mestre chegasse e perguntasse o que cada um de nós soube fazer, de que modo agimos na sua ausência, de que modo cumprimos o nosso papel, quais seriam as nossas respostas? É surpreendente como não conseguimos mudar, como devíamos, tal e qual uma flor. A nossa crença embora forte, não é a crença de um homem que age com uma determinação fixa. Essas são, no entanto, as pessoas que o Mestre quer ao Seu serviço, e não somente aquelas que são apenas devotas, sem que essa devoção as conduza à acção. Se nós conseguirmos pôr de lado a nossa própria evolução, e trabalhar e esquecermo-nos de nós mesmos no trabalho, então seremos verdadeiramente servis e aproximar-nos-emos do Mestre. Pode ser que eu seja jovem, que eu não tenha sofrido como os mais velhos já sofreram, mas se o sofrimento pode desalentar o entusiasmo então mais vale não tê-lo. Mas o que foi que nos ensinou o sofrimento?

Como disse no início, não existe nada tão absorvente como o estudo de nós mesmos. Esse é o único assunto sobre o qual vale a pena pensar; porque significa mudança. Não existe ninguém para forçar os mais velhos, e portanto ficam cristalizados. O que interessa é descobrir o que podemos fazer e até onde nos podemos sacrificar; quanta é a nossa força e quais as nossas capacidades. Quando vemos pessoas numa atitude de reverência, penso frequentemente no que terão feito por via do sacrifício.

Nos anos que estão para vir, ou temos que nos adaptar rapidamente à corrente em mudança, ou sair completamente dela. Quando definitivamente agarrarmos um vislumbre do Plano, por mais passageiro que seja, e sabendo que devemos continuar, simplesmente continuaremos, porque é muito mais divertido do que somente marcar o tempo. O que interessa é termos de fazer qualquer coisa para mudar. A velhice não significa que não podemos mudar. Por outro lado, é mais fácil para os mais velhos, porque eles já tiveram a experiência, e o sofrimento; no entanto continuam do mesmo velho modo de perpétua negligência. Se querem ganhar dinheiro, vão e ganhem milhões, e dêem-nos ao Mestre, e podem fazê-lo se tiverem a atitude correcta. E é o mesmo com tudo o resto que queiram fazer – escrever á maquina, estenografar ou qualquer outra coisa que desejem que seja o vosso serviço para o Mestre. A atitude é o que conta e quando chegarem lá todo o resto se seguirá.

Textos de J.Krishnamurti em Português
Fonte:
http://www.jiddu-krishnamurti.net

domingo, 18 de outubro de 2009

Krishnamurti

A Vida Inteira, a partir do momento em que nascemos, é um processo de aprendizado.
Não existe caminho para uma verdade, ela DEVE chegar a você. A verdade só consegue chegar para você quando sua mente e coração são simples, claros, e existe amor em seu coração, não se seu coração está cheio com as coisas da mente.
No momento em que você tiver em seu coração esta coisa extraordinária chamada amor, e sentir a profundidade, uma delícia, o êxtase dele, você descobrira que o mundo foi transformado para você.
A necessidade de segurança nas relações gera Inevitavelmente o sofrimento eo medo. Essa busca de segurança atrai a insegurança. Já encontrastes alguma vez segurança em alguma de vossas relações? Já?
A maioria de nós quer uma segurança no amar e não ser amado, mas existirá amor quando cada um está a buscar a própria segurança, seu caminho próprio? Nós não somos amados porque não sabemos amar.

Fonte: Krishnamurti

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

VOCÊ É O OUTRO

Pergunta: Quero ajudar as pessoas, servi-las. Qual é o melhor jeito?

Krishnamurti: A melhor forma é começar a entender você mesmo e mudar a si próprio. Neste desejo de ajudar alguém, de servir outra pessoa, há um orgulho, uma vaidade escondida. Se você ama, você serve. O clamor de ajudar nasce da vaidade.
Se você quer ajudar outra pessoa, você tem que conhecer a si mesmo, pois você é o outro. Externamente podemos ser diferentes - amarelo, preto, marrom, ou branco - mas somos todos impulsionados pela ansiedade, pelo medo, pela inveja, ou por ambição; interiormente somos bem parecidos. Sem autoconhecimento, como você pode ter conhecimento das necessidades do outro? Sem entender a si mesmo, você não pode entender outra pessoa, servir outra pessoa. Sem autoconhecimento você está agindo na ignorância, e assim criando conflito.Vamos examinar isso. A industrialização está se espalhando rapidamente por todo o mundo, impelida pela avidez e pela guerra. A industrialização pode dar emprego, alimentar mais pessoas, mas qual é o resultado mais amplo? O que acontece às pesssoas altamente desenvolvidas tecnologicamente? Elas serão mais ricas, vai haver mais carros, mais aviões, mais dispositivos eletrônicos, mais apresentação de cinemas, casas maiores e melhores; mas o que acontece às pessoas como seres humanos? Eles se tornam mais e mais rudes, mais e mais mecânicos, cada vez menos criativos. A violência deve se espalhar e o Estado então é a organização da violência. A industrialização pode trazer melhores condições econômicas, mas com os resultados horrorosos: favelas, antagonismos do trabalhador contra o não-trabalhador; o patrão e o escravo, o capitalismo e o comunismo, todo o caótico negócio que tem se espalhado nas diferentes partes do mundo. Dizemos com satisfação que isso irá subir o nível de vida, que a pobreza será erradicada, haverá trabalho, haverá liberdade, dignidade, etc. A divisão entre o rico e o pobre, entre o homem de poder e o que busca o poder - esta divisão e conflito sem fim irá continuar. Qual é o fim disso? O que aconteceu no Ocidente? Guerras, revoluções, ameaça contínua de destruição, desespero total. Quem está levando ajuda para quem e quem está servindo quem? Quando tudo à sua volta está sendo destruído, a pessoa atenta deve investigar as causas mais profunfas, o que tão poucos parecem fazer. Um homem que foi desalojado de sua casa pela explosão de uma bomba, deve invejar o homem primitivo. Você certamente está trazendo civilização para os que são chamados de excluídos, mas a que preço! Você pode estar servindo, mas considere o que vem neste rastro. Mas poucos se dão conta das causas profundas do desastre.

(K - Collected Works, vol III, pgs 218/219)

Biografia de Jiddu Krishnamurti


Biografia de J. Krishnamurti

Jiddu Krishnamurti nasceu na Índia em 1895. Com a idade de 13 anos passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava um dos grandes Mestres do mundo. Krishnamurti em breve viria a emergir como um Mestre extraordinário e inteiramente descomprometido. As suas palestras e escritos não se ligam a nenhuma religião específica nem pertencem ao Oriente ou ao Ocidente, mas sim ao mundo na sua globalidade:
"Afirmo que a Verdade é uma terra sem caminho. O homem não pode atingi-la por intermédio de nenhuma organização, de nenhum credo (...) Tem de encontrá-la através do espelho do relacionamento, através da compreensão dos conteúdos da sua própria mente, através da observação. (...)"
Durante o resto da sua existência, foi rejeitando insistentemente o estatuto de guia espiritual que alguns tentaram atribuir-lhe. Continuou a atrair grandes audiências por todo o mundo, mas recusando qualquer autoridade, não aceitando discípulos e falando sempre como se fosse de pessoa a pessoa. O cerne do seu ensinamento consiste na afirmação de que a necessária e urgente mudança fundamental da sociedade só pode acontecer através da transformação da consciência individual. A necessidade do autoconhecimento e da compreensão das influências restritivas e separativas das religiões organizadas, dos nacionalismos e de outros condicionamentos, foram por ele constantemente realçadas. K. chamou sempre a atenção para a necessidade urgente de um aprofundamento da consciência, para esse "vasto espaço que existe no cérebro onde há inimaginável energia". Essa energia parece ter sido a origem da sua própria criatividade e também a chave para o seu impacto catalítico numa tão grande e variada quantidade de pessoas.
A Educação foi sempre uma das preocupações de Krishnamurti. Fundou várias Escolas em diferentes partes do mundo onde crianças, jovens e adultos podem aprender juntos a viver um quotidiano de compreensão da sua relação com o mundo e com os outros seres humanos, de descondicionamento e de florescimento interior.
Durante sua vida, K. viajou por todo o mundo falando às pessoas, tendo falecido em 1986, com a idade 90 anos. As suas palestras e diálogos, diários e outros escritos estão reunidos em mais de 60 livros.
Amigos de K., reconhecendo a importância dos seus ensinamentos, estabeleceram Fundações, na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina e na Índia, assim como Centros de Informação, em muitos países do mundo, onde se podem colher informações sobre Krishnamurti e a sua obra. As Fundações têm caráter exclusivamente administrativo e destinam-se não só a difundir a obra de K. mas também a ajudar a financiar as escolas experimentais por ele fundadas.
"Podemos ir longe, se começarmos de muito perto. Em geral começamos pelo mais distante, o "supremo princípio", "o maior ideal", e ficamos perdidos em algum sonho vago do pensamento imaginativo. Mas quando partimos de muito perto, do mais perto, que é nós, então o mundo inteiro está aberto -- pois nós somos o mundo.
Temos de começar pelo que é real, pelo que está a acontecer agora, e o agora é sem tempo." (Krishnamurti)
"Afirmo que a Verdade é uma terra sem caminho. O homem não pode atingi-la por intermédio de nenhuma organização, de nenhum credo (...) Tem de encontrá-la através do espelho do relacionamento, através da compreensão dos conteúdos da sua própria mente, através da observação." (Krishnamurti)
"Estou apenas a ser como um espelho da vossa vida, no qual podeis ver-vos como sois. Depois, podeis deitar fora o espelho; o espelho não é importante." (Krishnamurti)
"... Falamos da vida -- e não de idéias, de teorias, de práticas ou de técnicas. Falamos para que olhe esta vida total, que é também a sua vida, para que lhe dê atenção. Isso significa que não pode desperdiçá-la. Tem pouquíssimo tempo para viver, talvez dez, talvez cinqüenta anos. Não perca esse tempo. Olhe a sua vida, dê tudo para a compreender." (Krishnamurti)

Fonte > http://somostodosum.ig.com.br/blog/blog.asp?id=5204

Krishnamurti


Desejo que os que procuram me compreender sejam livres, não me sigam, não façam de mim a gaiola que se converterá em religião, em seita. Desejo que sejam livres de todos os medos - do medo da religião, do medo da salvação, do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida.

Krishnamurti nasceu em 1895, na Índia, e a partir de 1909, foi educado e preparado durante 18 anos pela Sociedade Teosófica para assumir o papel do Novo Messias (para tal, ele foi colocado como dirigente da “Ordem da Estrela”).No encontro do ano de 1929, em Ommen, na Holanda, quando iria assumir oficialmente o papel de Instrutor do Mundo, diante de uma audiência de 3000 pessoas,Krishnamurti dissolveu a “Ordem da Estrela” e devolveu as doações de propriedades e dinheiro arrecadados para que ele desempenhasse o papel que dele se esperava.

Os membros da Sociedade Teosófica estavam preparados para seguir sejam lá quais fossem os ensinamentos do Novo Messias, menos isso que ele estava dizendo: para descobrirem a verdade por si mesmos. Proferiu o que ficou conhecido como o “Discurso de Ommen”, onde disse que “a verdade é uma terra sem caminho” e que nenhuma organização poderia levar o homem à espiritualidade:“Se uma organização for criada com esse propósito ela se tornará uma muleta, uma fraqueza, uma escravidão, mutilará o indivíduo e o impedirá de crescer, de estabelecer a sua unicidade, que se encontra no descobrimento, por ele mesmo, desta verdade absoluta e incondicional”.

Disse que seu único interesse era libertar o homem: “Desejo que vocês sejam livres de todos os medos – do medo da religião, do medo da salvação, do medo da espiritualidade, de medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida.”

Krishnamurti renunciou totalmente ao papel de Instrutor do Mundo – renunciou a ser representante de uma verdade organizada e passada por outra pessoa – neste sentido, sua visão da verdade era absoluta, cirúrgica. Mas ele nunca disse que não era o “Instrutor do Mundo”. Não deu importância a isso. Não queria seguidores:

“Todos vocês dependem, para sua espiritualidade, de outra pessoa; para a sua felicidade, de outra pessoa, para sua iluminação, de outra pessoa. Quando digo: busquem dentro de vocês a iluminação, a glória, a purificação e a incorruptibilidade do ser, nenhum de vocês se dispõe a fazê-lo. Pode ser que haja uns poucos, mas muito, muito poucos.

Mas aqueles que realmente desejam compreender, que estão buscando o eterno, o sem começo e sem fim, caminharão juntos com maior intensidade, serão um perigo para tudo o que não é essencial, para as irrealidades e as sombras. E eles se concentrarão, tornar-se-ão a chama, porque compreendem. Este é o corpo que precisamos criar e este é o meu propósito. Por causa dessa compreensão real, haverá uma amizade verdadeira. Por causa dessa amizade verdadeira haverá uma cooperação verdadeira da parte de cada um. Não em virtude da autoridade, não em virtude da salvação, mas porque compreendem realmente e, portanto, são capazes de viver no eterno. Isto, sim, é maior que todo o prazer, do que todo o sacrifício.

Meu único propósito é tornar o homem absoluta e incondicionalmente livre."

Krishnamurti passou o resto de sua vida - até morrer, em 1986 – como “hóspede do mundo”, viajando para vários lugares e ficando mais permanentemente nos EUA (Ojai, Califórnia), Inglaterra, Suiça (Saanen) e Índia. Seja onde estivesse, um trabalho profundo na consciência humana ia sendo feito, seja pela sua presença silenciosa ou pelo que dizia. Seus ensinamentos tomaram a forma de palestras públicas (incluindo encontros de perguntas e respostas), ou entrevistas particulares com gente anônima e gente famosa, ou ainda vieram na forma de diálogo com professores, crianças, pais, escritores, estudantes, psicólogos, físicos, profissionais de áreas diferentes.

Falou com cientistas responsáveis por programas nucleares (em Los Alamos), foi convidado a falar na ONU, fazia encontros com estudantes regularmente, falou em universidades. Contou com a colaboração estreita de David Bohm (física quântica). Esteve a par dos acontecimentos mundiais de seu tempo. Não pertencia a qualquer credo ou grupo religioso, social ou político. Todos esses encontros foram escritos, gravados ou filmados para que não houvesse espaço para mediadores. Suas fundações foram criadas apenas com o propósito de disponibilizar esse material registrado, com a advertência explícita que “os ensinamentos têm a autoridade da verdade, e interpretações apenas os distorcem”.


Fonte > http://www.centrokrishnamurti.com.br/?IDSecao=9

A vida têm tantos tesouros


A vida é um fio de navalha e temos que andar por este caminho com cuidado extraordinário e com uma sabedoria flexível.
A vida é tão rica, tem tantos tesouros, nós vamos até ela com o coração vazio; não sabemos como satisfazer nosso coração com a abundância da vida. Somos pobres interiormente, e quando as riquezas nos são oferecidas, nós recusamos. O amor é uma coisa perigosa, ele traz a única revolução que dá felicidade completa. Tão poucos de nós são capazes de amar, tão poucos querem amar.
O amor é um estado de ser no qual todos os problemas são resolvidos. Nós vamos ao poço com um dedal, e assim a vida se torna um negócio de mau-gosto, insignificante e trivial.
Que lugar adorável a terra poderia ser, pois há tanta beleza, tanta glória, tanta amorosidade imperecível. Nós estamos presos na dor e não nos importa sair fora dela, mesmo quando alguém nos aponta uma saída.
Nada pode estragar o amor, pois tudo se dissolve nele – o bom e o mau, o feio e o bonito. É a única coisa que é a sua própria eternidade.
(K - trechos do livro “Cartas a uma jovem amiga”, Edit. Terra sem Caminho, pgs 13 /14)

Existe uma razão para nossa existência?


Do livro: Realização sem esforço - ICK
Pergunta: Afirmam alguns filósofos que a vida tem finalidade e significação; outros, porém, sustentam que a vida puramente acidental e absurda. Que dizeis vós? Negais o valor dos alvos, dos ideais e intenções; mas, sem isso, tem a vida alguma significação?

KRISHNAMURTI: Devemos atribuir tanta importância ao que dizem os filósofos? Certos intelectuais dizem que a vida tem finalidade, significação, enquanto outros dizem que ela é acidental e absurda. Ora, cada um a seu modo, negativa ou positivamente, tanto uns como outros estão conferindo significação à vida, não achais? Um afirma, outro nega, mas essencialmente os dois são iguais. Isso é perfeitamente claro.
Pois bem. Quando perseguis um ideal, um objetivo, ou indagais qual é a finalidade da vida, tal indagação ou busca está baseada no desejo de dar significação à vida, não está? Não sei se estais seguindo isto.
Minha vida é insignificante — suponhamos — e trato, pois de dar-lhe significação. Pergunto: “Qual é a finalidade da vida?” — porque, se a vida tem alguma finalidade, poderei então viver em harmonia com essa finalidade. E, assim, invento ou imagino uma finalidade, ou, pela leitura, pela investigação, pela busca, encontro uma finalidade; estou, por conseguinte, dando significação à vida. Como o intelectual, à sua maneira, dá significação à vida, negando ou afirmando que ela tem finalidade e um significado, nós também atribuímos significação à vida por meio de nossos ideais, da busca de um alvo, de Deus, de Amor, da Verdade. E isso, com efeito, significa que, se não damos significação à vida, nossa existência não terá para nós importância alguma. O viver não nos parece tão bom como desejaríamos que fosse, e por isso desejamos dar significação à vida. Não sei se estais percebendo isto.
Qual é a significação de nossa vida, da vossa e da minha, independentemente dos filósofos? Ela tem alguma significação, ou lhe estamos dando significação pela crença, tal como faz o intelectual que se torna católico, isto ou aquilo, encontrando assim um abrigo? Como seu intelecto reduziu tudo a cacos, ele se vê agora sozinho, desamparado, etc., e não podendo suportar tal estado, necessita de uma crença, no catolicismo, no comunismo, em qualquer coisa que lhe dê alento e dê significação à sua vida.
Agora, pergunto a mim, mesmo: Por que razão queremos uma finalidade? E que significa viver sem finalidade alguma? Compreendeis? Sendo a nossa vida vazia, atribulada, triste, precisamos dar-lhe uma significação. E há possibilidade de ficarmos cônscios de nosso vazio, nossa solidão, nossos sofrimentos, todas as tribulações e conflitos de nossa existência, sem darmos, artificialmente, um significado à vida? Podemos estar cônscios dessa coisa extraordinária que chamamos a vida — que significa ganhar o próprio sustento, que significa inveja, ambições e desenganos — estar cônscios, simplesmente, de tudo isso, sem condenação ou justificação, e passar além? A mim me parece que, enquanto estivermos procurando ou dando uma significação à vida, estaremos perdendo algo de extraordinariamente vital. O mesmo acontece com o homem que quer achar a significação da morte e está constantemente empenhado em racionalizá-la, explicá-la, e impedido, assim, de “experimentar” o que é a morte. Apreciaremos este ponto noutra palestra.
Não nos estamos esforçando, todos nós, para achar mos uma razão para nossa existência? Quando amamos, temos uma razão para isso? Ou é o amor o único estado em que “não há razão de espécie alguma, nem explicação, nem esforço, nem luta para ser alguma coisa?” Talvez desconheçamos esse estado. E, desconhecendo-o, tentamos imaginá-lo, dar uma significação à vida; mas, como nossa mente está condicionada, e, portanto é limitada, superficial, a significação que damos à vida, os nossos deuses, os nossos ritos, os nossos esforços, tudo é também medíocre.
Não importa, pois, que descubramos por nós mesmos qual a significação que damos à vida, se o fazemos? Não há dúvida de que os intentos, os alvos, os Mestres, os deuses, as crenças, os fins em que buscamos nosso preenchimento, são todos inventados pela mente, todos produtos de nosso próprio condicionamento; e, compreendendo-se isto, não é importante “descondicionar” a mente? Quando a mente não está mais condicionada e, por conseguinte, não está dando significação à vida, a vida se torna então uma coisa extraordinária, uma coisa totalmente diferente da estrutura construída pela mente. Mas, primeiro que tudo, precisamos conhecer o nosso condicionamento, não é verdade? E podemos conhecer nosso condicionamento, nossas limitações, nosso fundo, sem procurar forçá-lo ou analisá-lo, sublimá-lo ou reprimi-lo? Pois tal processo implica a entidade que observa e se separa da coisa observada, não é exato? Enquanto houver observador e coisa observada, o condicionamento tem que continuar. Por mais que o observador, o pensador, o censor lute para livrar-se de seu condicionamento, continuará preso nesse condicionamento, uma vez que a divisão entre “pensador” e “pensamento”, “experimentador” e “experiência”, é o próprio fator que perpetua o condicionamento; e é extremamente difícil fazer desaparecer tal divisão, uma vez que aí está presente todo o problema da vontade.
Nossa civilização se baseia na vontade, a vontade de ser, de “vir a ser”, alcançar, realizar; por esta razão, está sempre presente em nós a entidade que quer modificar, controlar, alterar aquilo que observa. Mas há diferença entre aquilo que essa entidade observa, e ela própria, ou ambos são uma só entidade? Aqui está uma coisa que não é para se aceitar irrefletidamente. Ela tem de ser pensada, examinada com muita paciência, delicadeza, cautela, de maneira que a mente não fique mais separada da coisa em que pensa, e o observador e a coisa observada sejam psicologicamente uma só entidade. Enquanto eu continuar psicologicamente separado daquilo que em mim percebo como “inveja”, lutarei para dominar essa inveja; mas esse “eu”, essa entidade que faz esforço para dominar a inveja, é diferente da inveja? Ou são ambos a mesma coisa, e o “eu” só se separou da inveja para dominá-la, porque a inveja é um sentimento doloroso, e por várias outras razões? Mas, justamente esta separação é a causa da inveja.
Talvez não estejais habituados a esse modo de pensar, e o acheis um pouco abstrato. Mas a mente invejosa nunca pode estar tranqüila, porque está sempre comparando, sempre procurando “vir a ser” algo que ela não é; e se nos decidimos a penetrar esse problema da inveja, radicalmente, profundamente, toparemos inevitavelmente com este problema, ou seja se a entidade que deseja libertar-se da inveja não é a própria inveja Ao perceber-se que é a própria inveja que deseja libertar-se da inveja fica então a mente cônscia desse sentimento chamado inveja, sem nenhuma idéia de condená-lo ou libertar-se dele. E, daí, surge outro problema: Há sentimento, se não há verbalização? Pois a própria palavra “inveja” é condenatória, não é verdade? Estou dizendo algo demasiado muito súbito?
Existe sentimento de inveja, se não dou nome a tal sentimento? Pelo próprio fato de lhe dar nome, não estou nutrindo o sentimento? O sentimento e o dar-lhe nome são quase simultâneos, não é verdade? E é possível separá-los de tal maneira, que só se tenha uma sensação de reação, sem nome algum? Se investigardes isso, realmente, vereis que, quando não se dá nome ao sentimento, a inveja se acaba — não simplesmente a inveja que uma pessoa sente porque outra pessoa é mais bela ou tem um carro melhor, ou por outra estupidez qualquer, mas a essência profunda da inveja, a raiz da inveja. Todos somos invejosos, de diferentes maneiras, não há um só que não seja invejoso. Mas a inveja não é apenas a manifestação superficial; ela é aquele senso de comparação que penetra tão fundo e ocupa uma tão grande porção da mente. E para ficarmos radicalmente livres da inveja tem de deixar de existir o “observador” da inveja, que quer libertar-se da inveja.
Krishnamurti – 13 de agosto de 1955 – Ojai (Califórnia) U.S.A.
Ignorante não é aquele que não tem instrução mas sim o que não possui autoconhecimento. Do mesmo modo o letrado torna-se estúpido ao buscar a compreensão na autoridade e o saber dos livros. A compreensão sucede unicamente por via do autoconhecimento, o que representa o conhecimento da totalidade do nosso “processo” psicológico. Desse modo, o verdadeiro sentido da educação consiste na auto-compreensão porquanto todo o indivíduo reúne a totalidade da existência. Krishnamurti in Education and The Significance of Life (1953)

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